Questão 1 — Insuficiência Cardíaca
Um paciente de 60 anos de idade apresentou dispneia progressiva aos esforços, ortopneia e edema de membros inferiores. O exame físico mostrou B3 presente e turgência jugular elevada. A radiografia de tórax evidenciou cardiomegalia difusa. Nesse caso, qual é o exame de escolha para avaliar com precisão as funções sistólica e diastólica do ventrículo esquerdo nesse paciente?
- A)
Eletrocardiograma de repouso
- B)
Ecocardiograma transtorácico
✓ - C)
Radiografia de tórax
- D)
Tomografia computadorizada de tórax
Gabarito: B.
Revisão do tema
Âncora de prova: Na avaliação inicial da insuficiência cardíaca (IC) com sinais de congestão, o exame de escolha para mensurar com precisão as funções sistólica e diastólica do VE é o ecocardiograma transtorácico (ETT) com Doppler.
O que é: Ecocardiograma transtorácico é método ultrassonográfico que avalia morfologia, volumes, fração de ejeção (FEVE) e hemodinâmica por Doppler (fluxos e velocidades tecidual/valvar).
Por que importa: Define fenótipo de IC (FE reduzida, levemente reduzida, preservada), identifica etiologias/agravos (valvopatias, cardiomiopatias), estratifica risco e orienta terapia.
Como identificar: FEVE (Simpson biplano), volumes indexados, espessuras; diástole por Doppler transmitral (E/A), onda e' (Tissue Doppler), relação E/e' (estimativa de pressões de enchimento), volume do átrio esquerdo, velocidade da regurgitação tricúspide, pressão sistólica pulmonar.
Padrão-ouro prático: Para função sistólica/diastólica na beira do leito, ETT é o método recomendado pela diretriz; a ressonância cardíaca é gold standard anatômico/tecidual, mas não é exame de primeira linha para função diastólica em cenário geral.
Conduta & Posologia
- Descompensação congestiva (alívio de sintomas): Furosemida IV inicial 20–40 mg, titular a cada 2–4 h conforme diurese/PA; em uso domiciliar prévio, dose IV inicial ≈ 1–2× a dose VO diária.
- IC-FEr (estabilizado, após otimizar volume/PA): - IECA (ex.: Captopril 6,25–25 mg VO 8/8h) ou ARNI (Sacubitril/valsartana 49/51 mg VO 12/12h; iniciar 24–36 h após suspender IECA; iniciar 24/26 mg 12/12h se PA baixa/DRC/idoso).
- Betabloqueador (após euvolemia, sem choque): Carvedilol 3,125 mg VO 12/12h, titular a cada 2–4 semanas.
- Antagonista de mineralocorticoide: Espironolactona 25 mg VO/dia (evitar se K ≥5,0 mEq/L ou TFGe <30 mL/min/1,73m²).
- iSGLT2: Dapagliflozina 10 mg VO/dia (pode iniciar durante internação; evidência até TFGe ≥25 mL/min/1,73m²).
- Ajustes em DRC/idoso: Reduzir doses iniciais de IECA/ARNI/diurético se TFGe <30 ou PA limítrofe; monitorar K e creatinina 2–7 dias após mudanças.
- Contraindicações: IECA/ARA/ARNI na gestação; betabloqueador em choque/edema agudo com baixo débito; espironolactona se K alto/TFGe <30.
- Efeitos adversos relevantes: IECA/ARNI: tosse, angioedema, hiperK; espironolactona: hiperK, ginecomastia; iSGLT2: euglycemic ketoacidosis rara, ITU/micose; diurético de alça: hipovolemia, hipocalemia.
- Critérios de internação vs ambulatorial: Internar se PAS <90 mmHg, hipoxemia (SatO2 <90% RA), congestão refratária, lesão renal aguda, troponina elevada, arritmia sustentada, IC de início recente grave. Reavaliar ambulatorial em 48–72 h após ajuste terapêutico.
Mini-exemplo: Paciente com IC e ortopneia: ETT mostra FEVE 30% e E/e' >15 → confirma disfunção sistólica e pressões de enchimento elevadas.
Discussão das alternativas
✅ B) Ecocardiograma transtorácico
Alternativa correta. É o exame de escolha para avaliar com precisão função sistólica (FEVE por Simpson) e diastólica (E/A, e', E/e', volume de AE, TR) do VE, conforme diretrizes da SBC. Não invasivo, disponível e orienta conduta.
❌ A) Eletrocardiograma de repouso
Alternativa incorreta. ECG detecta ritmo, isquemia/necrose e sobrecarga, mas não quantifica FEVE nem pressões de enchimento. Serve como triagem, não para mensurar função sistólica/diastólica.
❌ C) Radiografia de tórax
Alternativa incorreta. Rx avalia cardiomegalia e congestão pulmonar, porém não mede FEVE ou parâmetros diastólicos. Útil para diagnóstico diferencial e sinais de congestão, não para função do VE.
❌ D) Tomografia computadorizada de tórax
Alternativa incorreta. TC é útil para parênquima pulmonar e aorta, mas não é método de escolha para função ventricular. Exige contraste/radiação e não substitui ETT na avaliação sistólico-diastólica.
Take-home message
- Exame de escolha para avaliar FEVE e função diastólica do VE: Ecocardiograma transtorácico com Doppler.
- Diástole no eco: E/A, e' (TDI), E/e', volume de AE e TR compõem a estimativa de pressões de enchimento.
- ECG e Rx são complementares, mas não quantificam função ventricular; TC não é método funcional primário.
- Na IC descompensada, iniciar diurético de alça IV (ex.: furosemida 20–40 mg IV) e estabilizar antes de otimizar terapia modificadora de prognóstico.
- Evite IECA/ARA/ARNI na gestação e betabloqueadores em choque.



A característica endoscópica dominante na doença de Crohn é a presença de ulcerações. Os achados endoscópicos na doença de Crohn incluem: úlceras aftoides, que são as lesões mais precoces observadas na doença de Crohn (painel A); grandes úlceras intercaladas com mucosa normal, que são típicas da distribuição segmentar da doença de Crohn (painel B); um aspecto em 'pedra de calçamento' (cobblestone), caracterizado por espessamento nodular com úlceras lineares ou serpiginosas (painel C); e estenoses decorrentes de fibrose (painel D).








