Revisão do tema
Âncora de memorização: Dermátomo do umbigo = T10.
Em prova, o “nível sensitivo” que alcança a cicatriz umbilical aponta para lesão medular em T10 como resposta direta.
O que é: Nível sensitivo é o dermátomo mais cranial com sensibilidade reduzida/abolida. Em trauma, sugere o segmento medular acometido.
Por que importa: Define topografia da lesão, orienta imagem, imobilização e prognóstico motor/funcional.
Como identificar: Mapeamento de dor/tato em tronco e membros, buscando o dermátomo de transição.
Pontos-chave: mamilo T4, apêndice xifoide T6, umbigo T10, região inguinal L1.
Mecanismo essencial: Vias espinotalâmicas podem ascender 1–2 segmentos antes de cruzar; porém, em exames de residência, a regra prática é “marco cutâneo = segmento correspondente”.
Conduta & Posologia
- ATLS inicial: Via aérea com proteção cervical, ventilação, circulação, avaliação neurológica (Glasgow, paresia, nível sensitivo) e exposição.
- Imobilização da coluna: Colar rígido e prancha até excluir lesão instável por imagem.
- Imagem: TC coluna em trauma de alta energia; RM se déficit neurológico para avaliar compressão/lesão ligamentar.
- Neuroproteção hemodinâmica: Manter PAM ≥ 85–90 mmHg nas primeiras 72h quando lesão medular aguda confirmada/suspeita.
- Corticoterapia: Não é recomendada rotineiramente no trauma raquimedular agudo (risco de infecção/hiperglicemia supera benefício; exceções são controversas).
- Tromboprofilaxia (exemplo): Enoxaparina 40 mg SC 1x/dia a partir de 24h se hemostasia adequada;
- ajustar se DRC: 30 mg SC 1x/dia se ClCr < 30 mL/min. Alternativa: heparina não fracionada 5.000 UI SC 8/8h.
- Contraindicações de anticoagulação: Sangramento ativo, TCE com hemorragia evolutiva, cirurgia iminente. Usar compressão pneumática intermitente.
- Efeitos adversos relevantes (HBPM): Sangramento, trombocitopenia induzida por heparina (HIT), hematoma epidural se associação a procedimentos neuraxiais.
- Critérios de internação/UTI vs ambulatorial:
- Internar/UTI se déficit neurológico, fratura/instabilidade, necessidade de MAP alvo, politrauma.
- Ambulatorial apenas se trauma menor sem déficit/instabilidade (após imagem).
- Reavaliação neurológica: Exame seriado a cada 1–2 h no início e após qualquer intervenção; repetir imagem se piora.
Discussão das alternativas:
❌ A) T12.
Alternativa incorreta. T12 inerva região hipogástrica/suprapúbica; fica abaixo do umbigo. Não explica nível sensitivo que se estende até o umbigo.
❌ B) T11.
Alternativa incorreta. T11 está entre umbigo (T10) e região inguinal (L1); não corresponde ao marco anatômico citado.
✅ C) T10.
Alternativa correta. A cicatriz umbilical corresponde ao dermátomo T10. Em prova, o nível sensitivo que “atinge o umbigo” indica lesão em T10 como resposta direta. O déficit motor em membros inferiores é compatível com lesão torácica média.
❌ D) L1.
Alternativa incorreta. L1 relaciona-se à região inguinal/virilha, inferior ao T10. Não é o nível do umbigo.
Armadilhas de prova
- Dermátomo vs vértebra: O dermátomo refere-se ao segmento medular, não necessariamente ao corpo vertebral alinhado.
- Via espinotalâmica: Pode ascender 1–2 segmentos antes de cruzar; ainda assim, prova objetiva costuma aceitar o marco direto (umbigo = T10).
- Outros marcos úteis:
- T4 mamilo;
- T6 xifoide;
- T10 umbigo;
- L1 região inguinal;
- C6 polegar;
- C8 mínimo;
- L5 dorso do pé.
Take-home message
- Cicatriz umbilical = dermátomo T10; em prova, nível sensitivo até o umbigo → lesão T10.
- Marcos rápidos: T4 mamilo; T6 xifoide; T10 umbigo; L1 virilha.
- No trauma raquimedular: imobilização, TC/RM conforme déficit, manter PAM ≥ 85–90 mmHg nas 72h iniciais.
- Corticoterapia em altas doses não é rotina no trauma raquimedular agudo.
- Iniciar tromboprofilaxia quando seguro: enoxaparina 40 mg SC 1x/dia (ajustar se DRC).