Revisão do tema
Âncora de memorização: DIU de cobre (TCu380A) é contraceptivo de longa ação, não hormonal, com inserção a qualquer momento do ciclo se houver certeza razoável de não gravidez; é o método mais eficaz de contracepção de emergência até 5 dias.
O que é: Dispositivo intrauterino com cobre, que promove reação inflamatória espermicida intrauterina.
Por que importa: Alta eficácia (>99%), reversível, custo-efetivo na APS, útil em emergência contraceptiva.
Como identificar/indicar: Elegível em ausência de gravidez, infecção pélvica ativa ou malformação uterina distorciva; avaliar risco de IST, timing (pós-parto, pós-aborto) e preferência da usuária.
Armadilhas de prova: 72h não é limite para emergência com DIU (é até 120h); pós-aborto sem infecção permite inserção imediata; janela pós-parto entre 48h e <4 semanas é categoria 3 (evitar).
Conduta & Posologia
- Inserção no ciclo: Pode ser inserido em qualquer dia se houver certeza razoável de não gravidez (anamnese + teste quando indicado).
- Emergência contraceptiva (DIU-Cu): Inserir até 120 horas (5 dias) após relação desprotegida; eficácia >99%.
- Pós-parto: Imediato (até 10 min após dequitação) ou até 48h; entre 48h e <4 semanas evitar (categoria 3); a partir de 4 semanas, pode.
- Pós-aborto: Inserção imediata se não houver infecção/septicemia e lesão uterina.
- Analgesia na inserção:
- Ibuprofeno 400–600 mg VO 30–60 min antes; se dor/fluxo aumentado
- , Ibuprofeno 400 mg VO 8/8h por 1–3 dias (ajustar em DRC: evitar se TFG <30 mL/min; usar com cautela).
- Contraindicações: Gravidez, DIP/cervicite purulenta ativa, sangramento genital inexplicado, malformação uterina que distorce a cavidade, câncer de endométrio/cérvix não tratado, puerpério 48h–<4 semanas, endometrite pós-parto.
- Efeitos adversos relevantes: Aumento de cólica e fluxo menstrual nos primeiros ciclos; risco raro de perfuração (<1/1000) e expulsão (2–10%).
- Rastreamento de IST: Testar conforme risco; não adiar inserção se baixo risco; se alto risco, pode inserir e tratar se teste positivo.
- Seguimento: Reavaliação em 4–6 semanas (fios, sintomas) e se febre, dor pélvica intensa, corrimento fétido.
- Critérios de internação/urgência: Suspeita de perfuração, sepse pélvica, abdome agudo ou DIP grave com sinais sistêmicos.
Discussão das alternativas
❌ A) Pode ser inserido em até 72 horas após o parto.
Alternativa incorreta. Pós-parto imediato é até 10 min (dequitação) e até 48h ainda é elegível; entre 48h e <4 semanas é desfavorável (MEC 3). “72 horas” não é janela recomendada.
❌ B) É indicado como contracepção de emergência em até 72 horas.
Alternativa incorreta. O DIU de cobre é a melhor emergência contraceptiva até 120 horas (5 dias), não 72h.
❌ C) Em caso de pós-aborto, é indicado aguardar 40 dias para inserção.
Alternativa incorreta. Em pós-aborto não complicado (sem infecção/trauma), o DIU-Cu pode ser inserido imediatamente. Aguardar 40 dias não é recomendado.
✅ D) Pode ser inserido a qualquer momento do ciclo menstrual, desde que se certifique ausência de gravidez.
Alternativa correta. Regra prática: inserir em qualquer dia com certeza razoável de não gravidez (critérios clínicos e/ou teste negativo), conforme MEC OMS/MS.
Take-home message
- DIU de cobre pode ser inserido em qualquer dia do ciclo se houver certeza razoável de não gravidez.
- Como emergência contraceptiva, o limite é até 5 dias (120h) após a relação.
- Pós-parto: imediato (até 10 min) ou até 48h; evitar entre 48h e <4 semanas; liberar a partir de 4 semanas.
- Pós-aborto sem infecção: inserção imediata; se aborto séptico, tratar e adiar até resolução.
- Red flags: gravidez, DIP/cervicite ativa, sangramento inexplicado, cavidade uterina distorcida.
- Revisão em 4–6 semanas para checar fios e sintomas; orientar sinais de alarme.