Revisão do tema
Âncora de memorização (por que cai): Teste rápido positivo para hepatite B confirma infecção atual (detecta HBsAg); teste rápido positivo para hepatite C detecta anticorpo (anti-HCV) e exige HCV-RNA para confirmar infecção ativa. Estadiamento laboratorial + imagem define gravidade e risco de complicações.
Epidemiologia e Etiologia
- Brasil: hepatites B e C concentram-se em adultos mais velhos e áreas com menor acesso a diagnóstico. Transfusão antes da triagem sistemática (início dos anos 1990) é fator de risco clássico para hepatite C.
- Transmissão: hepatite B por sangue/sexo/perinatal; hepatite C predominantemente parenteral (transfusão antiga, drogas injetáveis, procedimentos inseguros).
Diagnóstico
- Hepatite B (teste rápido): pesquisa HBsAg (antígeno de superfície). TR reagente = infecção presente. Não requer exame confirmatório sorológico adicional para confirmar a presença de infecção.
- Hepatite C (teste rápido): pesquisa anti-HCV. TR reagente ≠ infecção ativa obrigatória (pode ser infecção resolvida ou falso-positivo).
- Padrão-ouro de confirmação: detecção de HCV-RNA por biologia molecular (carga viral).
- Estadiamento de gravidade: combina painel laboratorial de função/dano hepático, hemograma (plaquetas), e métodos de imagem (ultrassonografia; elastografia) para inferir inflamação, fibrose e complicações.
Conduta & Posologia
- Próximos passos diagnósticos imediatos: Confirmar hepatite C com HCV-RNA; caracterizar hepatite B com perfil sorológico (HBsAg já positivo; complementar com HBeAg/anti-HBe) e HBV-DNA para fase/atividade.
- Avaliação de gravidade (obrigatória): AST/TGO e ALT/TGP; bilirrubina total e frações; albumina (ou proteínas totais e frações); TP/INR; fosfatase alcalina; gama-glutamiltransferase; hemograma com plaquetas; calcular escores simples (ex.: APRI/FIB-4) como triagem de fibrose.
- Métodos de imagem: Ultrassonografia de abdome; elastografia hepática para estimar fibrose.
- Triagem de coinfecções e imunizações: Sorologia para HIV; sorologia para hepatite A (definir necessidade de vacina). Para contatos: vacina hepatite B (0, 1 e 6 meses).
- Critérios de encaminhamento especializado / prioridade: Sinais de cirrose/hipertensão portal, coagulopatia (INR elevado), bilirrubina elevada, plaquetopenia importante (<150 mil) ou elastografia com fibrose avançada (≥F3) → encaminhar ao especialista.
- Tempo de reavaliação: Após coleta de HCV-RNA e painel inicial, reavaliar em 2–4 semanas com resultados para definir tratamento antiviral (hepatite C) e necessidade de tratar/monitorar (hepatite B) conforme PCDT.
Discussão das alternativas
✅ A) É necessária a realização de exames confirmatórios após o teste rápido para hepatite B? Justifique.
Alternativa correta (conforme MS): Não. O teste rápido para hepatite B detecta HBsAg. Logo, um resultado reagente confirma infecção presente pelo vírus da hepatite B, dispensando exame confirmatório apenas para constatar a presença do antígeno. Próximo passo é caracterizar fase/atividade com HBeAg/anti-HBe e HBV-DNA, além de estadiar lesão hepática.
✅ B) É necessária a realização de exames confirmatórios após o teste rápido para hepatite C? Justifique.
Alternativa correta (conforme MS): Sim. O teste rápido detecta anti-HCV e não distingue infecção ativa de passada/falso-positivo. É obrigatória a confirmação com HCV-RNA (biologia molecular/carga viral) no sangue periférico para estabelecer diagnóstico de infecção ativa.
✅ C) Quais exames complementares adicionais são essenciais para avaliação da gravidade e impacto clínico e funcional da doença hepática? Justifique.
Essenciais (laboratoriais): AST/TGO e ALT/TGP (atividade necro-inflamatória); bilirrubina total e frações (colestase/falência); albumina ou proteínas totais e frações (função sintética); TP/INR (função sintética/coagulopatia); fosfatase alcalina e gama-glutamiltransferase (colestase/doença biliar); hemograma completo com plaquetas (hipertensão portal/hiperesplenismo). Imagem: ultrassonografia de abdome (morfologia, hipertensão portal, rastreio de carcinoma hepatocelular) e elastografia hepática (quantifica fibrose, define prognóstico). Sorologias: HIV (coinfecção piora evolução) e hepatite A (direciona imunização).
✅ D) Elabore 2 orientações iniciais para o paciente, considerando o manejo das hepatites virais crônicas e medidas de prevenção a contatos domiciliares.
Orientações iniciais (pontos-chave):
1) Rastreamento de contatos domiciliares e familiares de primeiro grau com testes para hepatites B e C; vacinar contatos contra hepatite B (esquema 0-1-6 meses) se suscetíveis.
2) Medidas de prevenção: não compartilhar escova de dentes, lâminas, alicates/tesouras, cortadores de unha, agulhas/seringas; uso de preservativos nas relações sexuais.
Take-home message
- Teste rápido da hepatite B detecta HBsAg: reagente = infecção presente; não precisa exame confirmatório para presença do antígeno.
- Teste rápido da hepatite C (anti-HCV) exige confirmação com HCV-RNA para definir infecção ativa.
- Estadiamento essencial: AST/ALT, bilirrubina total e frações, albumina, TP/INR, FA, Gama-GT, hemograma (plaquetas) + ultrassonografia e elastografia.
- Coinfecções e imunizações: testar HIV e checar imunidade para hepatite A para orientar vacina.
- Red flag: Não iniciar condutas sem confirmar HCV-RNA em TR anti-HCV reagente.
- Prevenção domiciliar: testar contatos e vacinar contra hepatite B; evitar compartilhamento de itens cortantes e escovas de dentes; usar preservativo.