Revisão do tema
Âncora de memorização: Na DPOC, o diagnóstico é funcional (espirometria com VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0,70) e o estadiamento funcional GOLD 1–4 é definido exclusivamente pelo percentual do VEF1 pós-broncodilatador: 1 ≥80%; 2 = 50–79%; 3 = 30–49%; 4 <30% do previsto.
Epidemiologia e Etiologia
- Brasil: DPOC é uma das principais causas de morbimortalidade; subdiagnóstico comum na Atenção Primária.
- Fatores de risco: Tabagismo (principal), exposição à biomassa, poeiras/irritantes ocupacionais e infecções respiratórias prévias.
Diagnóstico
- Definição operacional (padrão-ouro): Espirometria com VEF1/CVF pós-broncodilatador < 0,70 confirma obstrução fixa compatível com DPOC. Fonte: SBPT; Ministério da Saúde (PCDT DPOC).
- Estadiamento funcional (GOLD 1–4) pelo VEF1 pós-BD (% do previsto):
- GOLD 1: ≥ 80%
- GOLD 2: 50–79%
- GOLD 3: 30–49%
- GOLD 4: < 30%
- Radiografia de tórax: pode mostrar hiperinsuflação (ex.: alargamento dos espaços intercostais). Não confirma/descarta DPOC.
- Mini-exemplo clínico: VEF1/CVF 0,58 pós-BD e VEF1 42% do previsto = DPOC GOLD 3.
Conduta & Posologia
- Medidas não farmacológicas (base para todos): cessação do tabagismo, vacinação (influenza anual, pneumocócica conforme calendário), atividade física/reabilitação pulmonar.
- Broncodilatadores de longa ação (primeira linha conforme sintomas/exacerbações):
- Antimuscarínico de longa ação (LAMA) – Tiotrópio: 18 mcg inalatório (cápsula) 1x/dia ou 5 mcg (2 jatos) Respimat 1x/dia.
- Beta2-agonista de longa ação (LABA) – Formoterol: 12 mcg inalatório 12/12h; Salmeterol: 50 mcg 12/12h.
- Combinações LAMA/LABA (preferir se sintomas persistentes): ex. Indacaterol/Glicopirrônio 110/50 mcg 1x/dia.
- Corticosteroide inalatório (CI): não em monoterapia; adicionar em exacerbdor com eosinofilia sanguínea elevada ou exacerbações frequentes apesar de LAMA/LABA. Ex.: Budesonida/Formoterol 200/6 mcg 1–2 inalações 12/12h.
- Ajustes/precauções: LAMA com cautela em glaucoma de ângulo fechado e retenção urinária. CI aumenta risco de pneumonia e candidíase oral—enxaguar a boca após uso.
- Contraindicações: Hipersensibilidade ao fármaco; evitar CI em pacientes com pneumonias repetidas sem indicação clara.
- Efeitos adversos relevantes: LAMA/LABA: boca seca, tremor, taquicardia; CI: disfonia, candidíase, pneumonia.
- Oxigenoterapia domiciliar prolongada (em estabilidade): indicar se PaO2 ≤ 55 mmHg ou SpO2 ≤ 88%; ou PaO2 56–59 mmHg com cor pulmonale ou hematócrito > 55%.
- Critérios de internação (exacerbação): dispneia grave, hipoxemia refratária, acidose respiratória, uso de musculatura acessória, comorbidades descompensadas, falha ambulatorial. Reavaliar resposta em 24–72 h após ajustes na fase estável.
Discussão das alternativas
✅ C) estágio 3
Alternativa correta. Pela espirometria, há obstrução pós-broncodilatador (VEF1/CVF < 0,70) e o VEF1 pós-BD está entre 30% e 49% do previsto, o que classifica a DPOC como GOLD 3 (estágio 3). Esse é o critério funcional aceito por SBPT e PCDT-MS.
❌ A) estágio 1
Alternativa incorreta. O estágio 1 exige VEF1 ≥ 80% do previsto pós-BD, o que não corresponde ao encontrado (está < 50%).
❌ B) estágio 2
Alternativa incorreta. O estágio 2 requer VEF1 entre 50–79% do previsto pós-BD. Aqui, o VEF1 encontra-se abaixo de 50%.
❌ D) estágio 4
Alternativa incorreta. O estágio 4 exige VEF1 < 30% do previsto ou VEF1 < 50% com insuficiência respiratória crônica. O caso situa-se entre 30–49% sem menção a insuficiência respiratória crônica.
Take-home message
- Diagnóstico de DPOC exige VEF1/CVF pós-BD < 0,70 (padrão-ouro espirométrico).
- Estadiamento funcional GOLD: 1 ≥80%; 2 = 50–79%; 3 = 30–49%; 4 <30% (sempre com VEF1 pós-BD).
- Hiperinsuflação radiográfica apoia, mas não substitui a espirometria para diagnóstico/estadiamento.
- Tratamento de base: cessar tabagismo e iniciar broncodilatador de longa ação; escalonar para LAMA/LABA se sintomas persistirem.
- Red flag: NÃO usar corticosteroide inalatório em monoterapia na DPOC.
- Oxigenoterapia domiciliar: indicar se PaO2 ≤55 mmHg ou SpO2 ≤88% em estabilidade.
