Revisão do tema
Âncora de memorização: Em crianças de 5–19 anos, o IMC por escore Z classifica: eutrofia (≥ −2 e ≤ +1), sobrepeso (> +1 e ≤ +2), obesidade (> +2) e obesidade grave (> +3). Acanthosis nigricans = marcador cutâneo de resistência à insulina.
Epidemiologia e Etiologia
- Brasil: A obesidade infantil é crescente; uso padronizado das curvas Organização Mundial da Saúde pelo SISVAN/SUS.
- Etiologia multifatorial: balanço energético positivo sustentado, padrão dietético ultraprocessado, sedentarismo, sono insuficiente, ambiente obesogênico; componente genético e familiar importante.
Diagnóstico
- Classificação do estado nutricional (5–19 anos): OMS/SISVAN por IMC para idade (escore Z): sobrepeso (> +1 e ≤ +2), obesidade (> +2), obesidade grave (> +3).
- Obesidade central: relação circunferência da cintura/estatura ≥ 0,5 sugere adiposidade central; 0,9 é muito elevado e aumenta risco cardiometabólico.
- Acanthosis nigricans: placas hipercrômicas, aveludadas em dobras (pescoço/axilas) = resistência à insulina; não é dermatopatia primária infecciosa.
- Triagem de comorbidades (atenção primária): pressão arterial por percentil, glicemia de jejum, hemoglobina glicada, perfil lipídico, TGO/TGP; avaliar esteatose hepática e apneia se sintomas.
Conduta & Posologia
- Conduta de primeira linha: Intervenção não farmacológica familiar e multiprofissional: plano alimentar saudável (in natura, menos ultraprocessados), água como bebida padrão, reduzir telas < 2 h/dia, sono adequado, atividade física diária (≥ 60 min/dia, moderada a vigorosa), esporte regular e brincar ativo.
- Educação e metas realistas: estabilizar peso e reduzir escore Z gradualmente; reavaliação em 4–12 semanas.
- Encaminhar/avaliar especialista se: obesidade grave (escore Z > +3), comorbidades (hipertensão, dislipidemia, alterações glicêmicas, esteatose), falha persistente das medidas na APS, suspeita de causas secundárias ou distúrbios endócrinos/psicossociais importantes.
- Farmacoterapia: não é de rotina para obesidade infantil na APS. Considerar apenas em contextos especializados e indicações formais (ex.: diabetes mellitus tipo 2), com monitorização.
- Red flag: Evitar “iniciar hipoglicemiante oral” apenas por acanthosis nigricans sem diagnóstico de diabetes mellitus tipo 2.
Discussão das alternativas
✅ C) obesidade e acantosis nigricans; orientar alimentação e prática de esportes.
Alternativa correta. IMC entre +2 e +3 = obesidade (OMS/SISVAN). Lesões aveludadas hipercrômicas em dobras = acanthosis nigricans, marcador de resistência à insulina. Conduta inicial padronizada: mudança de estilo de vida com plano alimentar saudável e atividade física regular (≥ 60 min/dia), com seguimento seriado.
❌ A) risco de sobrepeso e acantosis nigricans; iniciar hipoglicemiante oral.
Alternativa incorreta. IMC > +2 não é “risco de sobrepeso”; é obesidade. Além disso, não se inicia hipoglicemiante oral apenas por resistência à insulina cutânea; fármacos são reservados a indicações específicas (ex.: diabetes mellitus tipo 2) em acompanhamento especializado.
❌ B) eutrofia e acrodermatite; encaminhar o paciente para dermatologia.
Alternativa incorreta. IMC entre +2 e +3 não é eutrofia. A lesão descrita não é “acrodermatite” (termo inespecífico); o quadro típico é acanthosis nigricans. Encaminhamento isolado à dermatologia não aborda o risco cardiometabólico.
❌ D) sobrepeso e acrodermatite; encaminhar o paciente para endocrinologia infantil.
Alternativa incorreta. Classificação errada (não é sobrepeso, é obesidade) e dermatose nomeada de forma imprópria. O encaminhamento ao especialista é indicado quando há obesidade grave, comorbidades ou falha terapêutica; na apresentação do enunciado, a conduta inicial é estruturada na atenção primária.
Take-home message
- IMC escore Z > +2 (5–19 anos, OMS/SISVAN) = obesidade; > +3 = obesidade grave.
- Acanthosis nigricans é marcador de resistência à insulina e exige rastreio metabólico básico.
- Primeira linha: intervenção familiar e multiprofissional com alimentação saudável e ≥ 60 min/dia de atividade física.
- Encaminhar se obesidade grave, comorbidades, ou falha persistente na atenção primária.
- Red flag: não iniciar hipoglicemiante oral apenas por acanthosis nigricans sem diagnóstico de diabetes.