Revisão do tema
Âncora (por que cai): Sangramento pós-menopausa = câncer de endométrio até prova em contrário. Primeiro passo é ultrassonografia transvaginal com medida do eco endometrial. Ponto de corte: ≤4 mm geralmente exclui neoplasia; >4 mm exige amostragem endometrial.
Epidemiologia e Etiologia
- Definição: Sangramento pós-menopausa é qualquer sangramento vaginal após 12 meses de amenorreia em mulher não usuária de terapia hormonal.
- Importância clínica: Principal causa é atrofia endometrial, mas é obrigatório excluir câncer de endométrio, sobretudo com fatores de risco (obesidade, diabetes mellitus tipo 2, idade).
- Fatores de risco presentes no caso: Obesidade (IMC 32,3 kg/m²) e diabetes mellitus tipo 2 aumentam risco de hiperplasia/neoplasia endometrial.
Diagnóstico
- Exame inicial (padrão na atenção primária/UPA): Ultrassonografia transvaginal (USG-TV) para medir a espessura endometrial (eco endometrial).
- Ponto de corte: Endométrio ≤4 mm tem alto valor preditivo negativo para neoplasia; acompanhamento se episódio único. Se >4 mm, heterogêneo/pólipos, ou se o sangramento persiste apesar de ≤4 mm, indicar biópsia endometrial (Pipelle) ou histeroscopia com biópsia.
- Exames que não são de primeira linha: Ressonância magnética de pelve não é exame inicial para sangramento pós-menopausa; reserva-se para casos selecionados de estadiamento/lesões complexas.
- Internação: Apenas se instabilidade hemodinâmica, sangramento volumoso com queda de hemoglobina ou necessidade de hemostasia cirúrgica imediata.
- Mini-exemplo: Pós-menopausa com eco 3 mm e sangramento que cessa: observar. Se recidivar, biopsiar mesmo com 3 mm.
Conduta & Posologia
- Passo inicial na UPA/APS: Solicitar USG transvaginal com medida do eco endometrial e caracterização da cavidade (pólipos, heterogeneidade).
- Se endométrio ≤4 mm: Alta com orientação e retorno programado. Se o sangramento persistir/recorrer, realizar biópsia endometrial (Pipelle) ou referenciar para histeroscopia diagnóstica.
- Se endométrio >4 mm ou imagem suspeita: Biópsia endometrial preferencialmente ambulatorial (Pipelle). Se indisponível, referenciar para histeroscopia com biópsia.
- Quando histeroscopia cirúrgica? Indicada para tratar pólipos/lesões focais após confirmação diagnóstica; não é exame inicial.
- Quando encaminhar ao hospital com urgência? Se houver instabilidade hemodinâmica, sangramento incoercível ou queda significativa de hemoglobina exigindo hemostasia/curetagem terapêutica.
- Tempo de reavaliação: Se USG-TV for normal (≤4 mm) e o sangramento cessar, reavaliar em 4 a 6 semanas; retornar antes se recidiva.
Discussão das alternativas
✅ A) solicitar ultrassonografia transvaginal e orientar o retorno à unidade básica de saúde.
Alternativa correta. Em sangramento pós-menopausa estável, o primeiro exame é a USG transvaginal para medir o eco endometrial. Com base no resultado (≤4 mm vs >4 mm ou imagem suspeita), define-se necessidade de biópsia/histeroscopia. Conduta ambulatorial, sem urgência, pois a paciente está hemodinamicamente estável e o sangramento é pequeno.
❌ B) solicitar ressonância magnética de pelve e orientar que a paciente procure um ginecologista.
Alternativa incorreta. Ressonância magnética não é exame inicial para sangramento pós-menopausa. O passo inicial é USG-TV. Encaminhamento ao ginecologista ocorre após o achado ultrassonográfico (ex.: >4 mm) ou persistência do sangramento.
❌ C) solicitar histeroscopia cirúrgica e orientar a paciente que procure uma unidade básica para ser referenciada.
Alternativa incorreta. Histeroscopia cirúrgica é terapêutica e não é o exame inicial. Primeiro mede-se o eco endometrial na USG-TV; se alterado ou sangramento persistir, procede-se à biópsia endometrial (Pipelle) ou histeroscopia diagnóstica com biópsia, não necessariamente cirúrgica.
❌ D) encaminhar a paciente para hospital, com urgência, para realizar curetagem uterina para controle e avaliação do sangramento.
Alternativa incorreta. A paciente está estável, sangramento é pequeno e o hemograma não mostra repercussão aguda. Curetagem urgente é reservada para hemorragia aguda/instabilidade. Aqui, a conduta é ambulatorial com USG-TV inicial.
Take-home message
- Sangramento pós-menopausa: exame inicial é USG transvaginal com medida do eco endometrial.
- Ponto de corte: endométrio ≤4 mm geralmente exclui neoplasia; >4 mm ou imagem suspeita = biópsia endometrial/histeroscopia.
- Se ≤4 mm mas o sangramento persiste/recidiva, realizar biópsia mesmo assim.
- Red flag: Não indicar RM de pelve ou curetagem de urgência em paciente estável com pequeno sangramento.
- Obesidade e diabetes aumentam risco de neoplasia, mas não mudam o primeiro passo: USG-TV.
