Revisão do tema
Âncora de memorização (por que cai): idade e periodicidade do rastreamento mudam conforme risco. Em banco, histórico familiar em parente de primeiro grau antes dos 50 anos classifica como alto risco e antecipa início do rastreamento.
Epidemiologia e Etiologia
- No Brasil, o câncer de mama é a neoplasia mais incidente entre mulheres (excluindo pele não melanoma). Fator de risco familiar: parente de 1º grau com câncer de mama, especialmente se <50 anos.
- Alto risco hereditário inclui: diagnóstico <50 anos em 1º grau, casos múltiplos na família, câncer de ovário, masculino na família, e síndromes genéticas (ex.: mutação em BRCA1/BRCA2).
Diagnóstico (rastreamento)
- População geral (risco habitual): no SUS, mamografia bienal dos 50–69 anos. Exame clínico das mamas e educação em saúde em todas as idades reprodutivas.
- Alto risco familiar (parente de 1º grau com câncer de mama antes dos 50 anos): antecipar início do rastreamento. Sociedades brasileiras (Mastologia/Febrasgo/CBR) recomendam iniciar por volta dos 35 anos com mamografia anual; considerar ressonância magnética anual nos cenários de alto risco genético comprovado.
- Mini-exemplo: mãe com câncer aos 45 anos → filha assintomática é alto risco familiar → iniciar mamografia por volta dos 35 anos (e não esperar 40 ou 50).
Conduta & Posologia
- Próximo passo nesta paciente: classificar como alto risco familiar e iniciar mamografia de rastreamento aos 35 anos, com periodicidade anual.
- Avaliação complementar: revisar história familiar ampliada; se critérios de predisposição hereditária, encaminhar para aconselhamento genético e discutir ressonância magnética anual como adjuvante.
- Seguimento clínico: exame clínico das mamas anual e educação sobre sinais de alerta; manter registro e convocação periódica.
- Critérios de referência/encaminhamento: encaminhar à mastologia/genética se múltiplos familiares afetados, caso em homem, câncer de ovário associado, ou diagnóstico familiar <40 anos.
Discussão das alternativas
✅ D) Iniciar rastreamento com mamografia a partir dos 35 anos, uma vez que o histórico de câncer de mama em parente de primeiro grau antes dos 50 anos justifica o início precoce do rastreamento.
Alternativa correta. Histórico em 1º grau <50 anos define alto risco familiar. Diretrizes nacionais de especialidade recomendam início por volta dos 35 anos, com periodicidade anual, por maior probabilidade pré-teste e benefício líquido na detecção precoce.
❌ A) Manter realização de exame clínico das mamas anualmente, sem a necessidade de exames complementares, e iniciar avaliação por mamografia após os 40 anos.
Alternativa incorreta. Em alto risco familiar (1º grau <50 anos) não basta só exame clínico e não se deve aguardar 40 anos. A recomendação é antecipar e iniciar mamografia aos 35 anos, idealmente anual.
❌ B) Iniciar rastreamento com mamografia a partir dos 40 anos, realizado a cada 2 anos, conforme recomendação para a população geral, devido à ausência de sintomas.
Alternativa incorreta. Periodicidade bienal a partir de 50–69 anos vale para risco habitual no SUS. Para alto risco, a conduta é mais precoce e anual, não bienal, e não deve iniciar só aos 40 anos.
❌ C) Manter acompanhamento clínico regular anual e iniciar mamografia após os 50 anos, uma vez que a paciente está assintomática e sem sinais clínicos de câncer.
Alternativa incorreta. Aguardar 50 anos aplica-se a risco habitual. Em alto risco familiar, atrasar até 50 anos perde janela de detecção precoce. Deve-se começar aos 35 anos.
Take-home message
- Parente de 1º grau com câncer de mama antes dos 50 anos = alto risco familiar → antecipar rastreamento.
- Conduta principal: mamografia de rastreamento anual iniciando aos 35 anos.
- No SUS, risco habitual: mamografia bienal 50–69 anos; não confundir com alto risco (início mais precoce).
- Red flag: Não atrasar rastreamento até 50 anos em alto risco — aumenta chance de diagnóstico tardio.
- Se suspeita de síndrome hereditária, encaminhar para genética e considerar ressonância magnética anual como complementar.