Revisão do tema
Âncora de memorização (por que cai): Exantema súbito é a principal causa de febre alta por 3–5 dias que some abruptamente e dá lugar a exantema maculopapular no tronco/pescoço em lactentes (<2 anos). Diferenciar de sarampo (exantema com pródromos respiratórios) e de escarlatina (faringite + exantema áspero) é clássico de prova.
Epidemiologia e Etiologia
- Exantema súbito (roséola infantil): lactentes de 6–24 meses; agente: Herpesvírus humano tipo 6 (e 7). Transmissão respiratória. Alta prevalência comunitária.
- Sarampo: doença exantemática viral de alta contagiosidade; importante em <1 ano (ainda sem completar esquema vacinal). Vigilância e notificação imediata de casos suspeitos no Brasil.
- Síndrome mão-pé-boca: Enterovírus (Coxsackie A), piores em creches/surtos. Lesões vesiculosas típicas em boca, mãos e pés.
- Escarlatina: toxina eritrogênica do Estreptococo beta-hemolítico do grupo A, usualmente após faringoamigdalite; pico escolar, mas pode acometer lactentes.
Diagnóstico
- Exantema súbito – diagnóstico clínico: febre alta (3–5 dias), criança pode estar relativamente bem; após defervescência surge exantema maculopapular róseo, início em tronco/pescoço, pode subir para face e extremidades; dura 1–3 dias; sem necessidade de exames na apresentação típica.
- Sarampo – caso suspeito (definição operacional MS): febre + exantema maculopapular + um dos seguintes: tosse, coriza ou conjuntivite; ou qualquer caso com febre e exantema em contexto de surto/ligação epidemiológica. Exige notificação imediata, coleta (soro/RT-PCR) e bloqueio vacinal de contatos.
- Escarlatina – pistas clínicas: início com febre e odinofagia; exantema micropapular difuso com textura de "lixa", Sinal de Pastia (pregas), palidez perioral, língua em framboesa; confirmar por contexto clínico e teste rápido/CPA quando disponível.
- Síndrome mão-pé-boca – pistas clínicas: febre baixa a moderada, estomatite dolorosa (úlceras), lesões vesiculosas em mãos/pés/nádegas; exantema precedido/associado à dor oral; autolimitado.
- Mini-exemplo: lactente 10–12 meses, 4 dias de febre alta e, ao cessar a febre, aparece exantema troncular: pense primeiro em exantema súbito.
Conduta & Posologia
- Exantema súbito (típico): manejo de suporte ambulatorial: hidratação, conforto, orientar evolução benigna; sem antivirais/antibióticos.
- Antitérmicos (se febre/desconforto): Paracetamol 10–15 mg/kg/dose VO a cada 4–6 h (máximo 60 mg/kg/dia); Ibuprofeno 5–10 mg/kg/dose VO a cada 6–8 h (evitar se <6 meses).
- Contraindicações: Ácido acetilsalicílico em crianças (risco de Síndrome de Reye); Ibuprofeno se <6 meses ou desidratação importante.
- Efeitos adversos relevantes: Paracetamol (hepatotoxicidade em superdose); Ibuprofeno (gastrite, piora de função renal em hipovolemia).
- Ajustes: Paracetamol reduzir dose em doença hepática; Ibuprofeno evitar/ajustar em doença renal e desidratação.
- Critérios de internação/encaminhamento: sinais de toxemia, letargia persistente, desidratação moderada/grave, convulsão febril complexa ou recorrente, suspeita de meningite/encefalite, exantema purpúrico, ou se preencher definição de caso suspeito de sarampo para investigação (isolamento e vigilância).
- Reavaliação: retornar em 24–48 h se febre persistir >5 dias, se surgirem sinais de alarme, ou se exantema durar >3–4 dias sem melhora.
Discussão das alternativas
✅ C) A anamnese e o exame físico são suficientes para o diagnóstico de exantema súbito, não havendo indicação de exames complementares.
Alternativa correta. Quadro clássico: febre alta por 3–5 dias seguida do aparecimento de exantema maculopapular troncular após 12–24 h de apirexia. Diagnóstico é clínico e manejo é de suporte; exames não são necessários em casos típicos.
❌ A) O diagnóstico de síndrome mão-pé-boca é mais provável, ainda que não tenham sido observadas vesículas na pele.
Alternativa incorreta. Mão-pé-boca requer lesões vesiculosas típicas em cavidade oral e extremidades, o que não ocorreu. Além disso, o padrão de exantema após a defervescência favorece exantema súbito.
❌ B) A anamnese e o exame físico exigem descartar laboratorialmente o diagnóstico diferencial de sarampo, pois se trata de menor de 1 ano.
Alternativa incorreta. Idade <1 ano aumenta suscetibilidade, mas caso suspeito de sarampo exige febre + exantema + tosse/coriza/conjuntivite. Sem pródromos respiratórios e com exantema após defervescência, não cumpre definição operacional para investigação compulsória imediata segundo MS.
❌ D) A presença de febre alta torna um quadro bacteriano mais provável, o que, associado à presença do exantema, sugere o diagnóstico de escarlatina.
Alternativa incorreta. Febre alta isolada não define etiologia bacteriana. Escarlatina cursa com faringoamigdalite, exantema lixa, Sinal de Pastia e língua em framboesa. O caso descreve exantema após defervescência, sem faringite ou sinais típicos. Não há indicação de antibiótico.
Take-home message
- Exantema súbito: febre alta 3–5 dias que cessa subitamente e, após 12–24 h, surge exantema maculopapular em tronco/pescoço.
- Sarampo (MS): suspeitar se febre + exantema + tosse/coriza/conjuntivite; exige notificação imediata e coleta de amostras.
- Mão-pé-boca pede vesículas orais e em mãos/pés; ausência dessas lesões afasta o diagnóstico típico.
- Escarlatina: faringite + exantema áspero difuso, Sinal de Pastia e língua em framboesa; não confundir com roséola.
- Conduta principal na roséola: suporte e antitérmico (Paracetamol 10–15 mg/kg/dose 4–6/6 h), orientar curso benigno.
- Red flag: Se houver tosse/coriza/conjuntivite + exantema, tratar como suspeita de sarampo (isolamento/notificação).