Revisão do tema
Âncora de memorização: No politrauma, a prioridade é sempre o ABCDE. O “A” do ATLS é via aérea com proteção da coluna cervical. Mesmo já intubado no pré-hospitalar, o paciente deve ter a via aérea imediatamente reavaliada ao chegar à sala de emergência.
Epidemiologia e Etiologia
- Trauma é uma das principais causas de morte em adultos jovens no Brasil; quedas de altura são causa frequente de trauma cranioencefálico grave (Escala de Coma de Glasgow ≤ 8).
- Hipóxia e hipotensão na fase inicial aumentam mortalidade e sequelas no trauma cranioencefálico grave; por isso, a sequência ABCDE é mandatória e salva-vidas.
Diagnóstico
- Abordagem primária (ATLS): ABCDE com reavaliações contínuas.
- A — Via aérea com proteção cervical: inspecionar posição do tubo orotraqueal, confirmar com capnografia (padrão-ouro para posicionamento traqueal), auscultar campos pulmonares e epigástrio, checar profundidade/linha dos dentes, aspirar secreções, re-fixar o tubo. Imobilização cervical manual/colar deve ser mantida o tempo todo.
- B — Ventilação: saturação, capnografia, simetria torácica, tratar pneumotórax hipertensivo imediatamente.
- C — Circulação/choque: pulso, pele, pressão arterial, acesso venoso calibroso, hemorragias externas, protocolo de transfusão maciça quando indicado.
- D — Neurológico: Escala de Coma de Glasgow, pupilas, glicemia capilar.
- E — Exposição/controle térmico: retirar roupas, procurar outras lesões, prevenir hipotermia.
- Imagem (tomografias): somente após estabilização inicial do ABCDE. Em TCE grave, tomografia de crânio sem contraste é exame de escolha após estabilização.
Conduta & Posologia
- Ácido tranexâmico no trauma hemorrágico: indicado em sangramento significativo ou suspeita de hemorragia relevante, idealmente até 3 horas do trauma.
- Esquema: 1 g IV em 10 minutos seguido de 1 g IV em 8 horas.
- Contraindicações principais: hipersensibilidade, coagulação intravascular disseminada sem fibrinólise documentada. Usar com cautela em doença tromboembólica ativa recente.
- Efeitos adversos relevantes: náuseas, vômitos, hipotensão se infundido rápido, raramente eventos tromboembólicos.
- Volume no choque hemorrágico: preferir cristaloide em bolus pequenos enquanto ativa-se hemostasia e transfusão balanceada; evitar hemodiluição e hipotermia.
- Critérios de internação/UTI: politrauma grave, necessidade de via aérea avançada, trauma cranioencefálico grave (Escala de Coma de Glasgow ≤ 8), instabilidade hemodinâmica, lesões toracoabdominais complexas.
Discussão das alternativas
✅ C) Avaliação das vias aéreas do paciente.
Alternativa correta. No ATLS, o primeiro passo na sala é via aérea com proteção cervical. Mesmo já intubado, o paciente deve ter a via aérea checada: posição do tubo, capnografia, ausculta e fixação. Isso previne hipóxia/broncoaspiração e corrige intubação seletiva ou esofágica.
❌ A) Realização de tomografia de crânio, tórax e abdome.
Alternativa incorreta. Exames de imagem são secundários à estabilização ABCDE. Levar instável à tomografia antes de garantir via aérea/ventilação/circulação é erro grave. Tomografia só após estabilização inicial e monitorização adequada.
❌ B) Administração de ácido tranexâmico e volume.
Alternativa incorreta. Embora úteis no choque hemorrágico, essas medidas pertencem ao “C” (circulação) e não antecedem o “A”. Além disso, o ácido tranexâmico é indicado quando há sangramento significativo/suspeita de hemorragia e não substitui a hemostasia. A prioridade imediata é reavaliar e assegurar a via aérea com proteção cervical.
❌ D) Estabilização da coluna cervical.
Alternativa incorreta. A proteção cervical deve ser contínua desde o pré-hospitalar, mas, no protocolo, ela é parte do “A” (via aérea com proteção cervical), não um passo separado que substitua a avaliação da via aérea. O erro de prova é dissociar a proteção cervical do manejo da via aérea.
Take-home message
- ATLS na sala de emergência começa por A: via aérea com proteção cervical, seguida de B, C, D, E.
- Paciente já intubado deve ter confirmação imediata do tubo: capnografia, ausculta, profundidade e fixação.
- Imobilização cervical permanece o tempo todo e é indissociável do manejo do “A”.
- Ácido tranexâmico no sangramento: 1 g IV em 10 min + 1 g IV em 8 h, idealmente até 3 h do trauma.
- Red flag: NÃO levar para tomografia antes de estabilizar o ABCDE.
- Conduta principal no caso: reavaliar via aérea com proteção cervical assim que o paciente entra na sala.