Revisão do tema
Âncora de memorização (por que cai): Pilha-botão em fossa nasal é emergência otorrinolaringológica. Radiografia com “duplo contorno/duplo halo” diferencia pilha de moeda. Conduta correta: remoção IMEDIATA por especialista com endoscopia/fibroscopia. Irrigação é contraindicada.
Epidemiologia e Etiologia
- Crianças 1–6 anos concentram a maioria dos corpos estranhos nasais no Brasil; objetos pequenos e brilhantes predominam. Pilha-botão é menos frequente que contas/moedas, porém com maior gravidade por necrose cáustica e elétrica rápida.
- Pilha-botão em contato com mucosa gera alcalinização tecidual (hidróxido) e necrose por eletrólise em poucas horas, com risco de perfuração septal e sinequias.
Diagnóstico
- Clínica: obstrução unilateral, às vezes rinorreia fétida/serossanguinolenta. Em pilha-botão, evolução rápida com dor e possível queimadura local.
- Padrão-ouro operacional: confirmação por visualização endoscópica e remoção completa do corpo estranho.
- Radiografia (mentonaso/seios da face): imagem radiopaca circular. Pilha-botão apresenta duplo contorno/duplo halo ou “step-off”; moeda tem contorno único liso.
Conduta & Posologia
- Conduta imediata: remoção URGENTE por otorrinolaringologista com endoscopia rígida/flexível (nasofibroscopia), preferencialmente em centro com suporte para sedação/anestesia.
- Não fazer: irrigação/lavagem nasal, espera ambulatorial ou tentativa repetida sem visualização, pois aumentam vazamento cáustico, deslocamento posterior e necrose.
- Critérios de transferência imediata: ausência de especialista/equipamento para endoscopia; sinais de lesão cáustica; paciente pouco colaborativo (necessidade de sedação). Transferir imediatamente como emergência tempo-dependente.
- Pós-remoção: inspeção endoscópica da mucosa (documentar lesões), limpeza suave, considerar curativo local. Antibiótico tópico/sistêmico apenas se houver infecção/necrose extensa (decisão do especialista). Agendar reavaliação em 24–48 h.
- Internação vs ambulatorial: ambulatorial se remoção simples sem lesão significativa. Internar se necrose importante, perfuração septal, sangramento relevante ou necessidade de curativos seriados.
Discussão das alternativas
✅ B) Transferência para centro de referência, para nasofibroscopia imediata.
Alternativa correta. A radiografia com duplo contorno define forte suspeita de pilha-botão nasal, que exige remoção imediata endoscópica por especialista. O atraso aumenta risco de necrose e perfuração septal. Se o serviço não dispõe de ORL e endoscopia, a conduta é transferir imediatamente para remoção.
❌ A) Alta médica, com encaminhamento para consulta com otorrinolaringologista.
Alternativa incorreta. Observação/encaminhamento eletivo é contraindicado em suspeita de pilha-botão devido à lesão cáustica rápida. Deve-se agir no mesmo atendimento.
❌ C) Internação no pronto-socorro, para lavagem e aspiração nasal.
Alternativa incorreta. Lavagem/irrigação aumenta liberação cáustica e pode deslocar o objeto. A conduta é remoção endoscópica imediata; aspiração só após retirada, para limpeza de secreções, se necessário.
❌ D) Internação hospitalar, para realização de rinoscopia eletiva.
Alternativa incorreta. Não é procedimento eletivo; é emergência. Internar para adiar a remoção aumenta dano tecidual. O adequado é remoção imediata (no local ou após transferência urgente).
Take-home message
- Duplo contorno/duplo halo na radiografia nasal = suspeita de pilha-botão (não é moeda).
- Conduta principal: remoção endoscópica imediata por ORL; se indisponível, transferir já.
- Red flag: NÃO realizar irrigação/lavagem nasal com pilha-botão.
- Tempo é tecido: necrose pode ocorrer em poucas horas; evitar altas/encaminhamentos eletivos.
- Após remoção, avaliar mucosa e reavaliar em 24–48 h; internar se houver necrose/complicações.