Revisão do tema
Âncora de memorização (por que cai): Sangramento pós-menopausa com endométrio espessado é suspeita oncológica e exige biópsia; paciente lúcida pode recusar, mas a informação deve ser completa e documentada. Prova explora autonomia, consentimento e vedação a abandono.
Epidemiologia e Etiologia
- Sangramento pós-menopausa: sempre é considerado anormal e requer investigação. Espessura endometrial >4–5 mm na ultrassonografia transvaginal aumenta a suspeita para hiperplasia/adenocarcinoma endometrial (pior se heterogêneo).
- Brasil (rede SUS): histeroscopia com biópsia é o exame diagnóstico de escolha para avaliação do endométrio anormal.
Diagnóstico
- Padrão-ouro: histeroscopia diagnóstica com biópsia endometrial dirigida. Objetivo: confirmar/afastar hiperplasia atípica e câncer de endométrio.
- Definição operacional: pós-menopausa com sangramento + ultrassonografia transvaginal mostrando endométrio espessado/heterogêneo = indicação de amostragem endometrial.
Conduta & Posologia
- Próximo passo propedêutico: indicar histeroscopia com biópsia para diagnóstico tecidual.
- Consentimento livre e esclarecido: informar, em linguagem clara, diagnóstico provável (incluindo possibilidade de câncer), riscos de não investigar e benefícios/risco do exame. Avaliar e registrar capacidade da paciente (lúcida, orientada).
- Recusa esclarecida: se mantida a recusa, respeitar a autonomia, registrar detalhadamente no prontuário e colher termo de recusa esclarecida. Manter seguimento e orientar retorno imediato se novo sangramento.
- Sigilo e família: envolver familiares apenas com autorização da paciente. Não omitir diagnóstico provável à paciente capaz.
- Vedação a abandono: Não interromper assistência por discordância terapêutica; oferecer alternativas, agendar reavaliação (ex.: 2–4 semanas) e manter vínculo.
Discussão das alternativas
✅ B) informar à paciente que existe a possibilidade de ser câncer e reforçar a necessidade do exame.
Alternativa correta. A paciente é capaz; deve receber informação completa sobre diagnóstico provável (incluindo neoplasia), riscos da não investigação e benefícios da histeroscopia. Respeita-se a autonomia, mas o dever de informar é irrenunciável. Se recusar após esclarecimento, registrar e colher termo de recusa, mantendo seguimento.
❌ A) dizer à paciente que respeitará sua decisão e evitar discutir com ela o diagnóstico provável.
Alternativa incorreta. Respeitar a autonomia não autoriza omitir informação material. O correto é informar riscos/benefícios e o diagnóstico provável antes de aceitar a recusa. Omissão fere o dever ético de esclarecimento.
❌ C) esclarecer para a família a necessidade do exame, mas omitir o diagnóstico provável para a paciente.
Alternativa incorreta. A paciente é capaz; a informação é dirigida a ela. Compartilhar com a família exige anuência da paciente. Omissão à paciente e comunicação à família sem consentimento violam sigilo e autonomia.
❌ D) orientar que, caso ela se recuse a fazer o exame, será necessário procurar outro serviço para acompanhamento.
Alternativa incorreta. Configura abandono se motivado por divergência terapêutica. A conduta ética é manter o cuidado, documentar recusa esclarecida, oferecer alternativas e seguimento.
Take-home message
- Sangramento pós-menopausa com endométrio >4–5 mm e heterogêneo exige biópsia endometrial (histeroscopia é padrão-ouro).
- Autonomia não exclui dever de informar: explique a possibilidade de câncer, riscos de não investigar e benefícios do exame.
- Recusa esclarecida: documente em prontuário e colha termo de recusa; mantenha seguimento e orientações de retorno.
- Red flag: Não omitir o diagnóstico provável à paciente capaz e não abandonar o caso por recusa ao exame.
- Família só participa com autorização da paciente; sigilo profissional deve ser preservado.