Revisão do tema
Âncora de memorização: Febre + tosse/coriza/conjuntivite + manchas de Koplik + exantema maculopapular que inicia em face após pródromos = sarampo. Em toda criança com sarampo, o Ministério da Saúde recomenda vitamina A via oral para reduzir mortalidade e complicações.
Epidemiologia e Etiologia
- No Brasil: Sarampo é de notificação imediata. Surtos ocorrem em bolsões de baixa cobertura vacinal.
- Agente: Vírus do sarampo (gênero Morbillivirus), transmissão respiratória por aerossóis/gotas. Altamente contagioso (R0 elevado).
Diagnóstico
- Quadro clínico típico: pródromos (febre alta, tosse, coriza e conjuntivite) seguidos de exantema maculopapular que inicia em face e retroauricular, com progressão craniocaudal; manchas de Koplik (máculas branco-azuladas em mucosa jugal) são achado patognomônico.
- Definição operacional (MS): caso suspeito = febre e exantema maculopapular acompanhado de tosse e/ou coriza e/ou conjuntivite, independentemente do estado vacinal, com vínculo epidemiológico compatível.
- Confirmação: sorologia IgM, biologia molecular (RT-PCR) em amostras respiratórias/urina, e investigação epidemiológica. Coletar até 28 dias do início do exantema.

Figura 1. Sarampo. Máculas róseas e pápulas discretamente elevadas.
Fonte: Bolognia, Jean L. Dermatologia Essencial. Grupo GEN, 2015. Disponível em: VitalSource Bookshelf. Acesso em 15/07/2026.
Conduta & Posologia
- Vitamina A (suplementação em sarampo):
- 6 a 11 meses: 100.000 UI VO 1x/dia por 2 dias consecutivos (Dia 1 e Dia 2).
- ≥12 meses (inclui 5 anos): 200.000 UI VO 1x/dia por 2 dias consecutivos (Dia 1 e Dia 2).
- Terceira dose: considerar mesma dose 2 a 4 semanas após a segunda se houver sinais de deficiência de vitamina A, desnutrição ou curso grave.
- Suporte:
- • Antitérmico: Paracetamol 10–15 mg/kg/dose VO a cada 4–6 h (máx. 75 mg/kg/dia). Ibuprofeno (se >6 meses) 5–10 mg/kg/dose VO a cada 6–8 h.
- • Hidratação, oferta alimentar, higiene ocular com SF 0,9%.
- • Isolamento respiratório: até 4 dias após início do exantema (imunodeprimidos: até 20 dias).
- • Notificação imediata e coleta de amostras segundo rotina de vigilância.
- Antibióticos: não são de rotina; usar apenas se houver complicação bacteriana (ex.: otite média aguda, pneumonia bacteriana).
- Antivirais para influenza (oseltamivir): não indicados no sarampo.
- Contraindicações/precauções da vitamina A: Evitar repetidas megadoses em hepatopatia grave; monitorar se uso prolongado. Reações transitórias possíveis: náuseas, vômitos, cefaleia, irritabilidade; em lactentes, fontanela abaulada.
- Interações críticas: risco de toxicidade com uso concomitante de outras preparações em altas doses de vitamina A
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- Armadilha: não usar ácido acetilsalicílico em crianças com viroses (risco de síndrome de Reye).
- Critérios de internação/UTI vs ambulatorial:
- • Internar se: dessaturação (SpO2 < 92%), tiragem/taquipneia importante, pneumonia grave, desidratação moderada/grave, incapacidade de ingestão VO, convulsões, alteração do nível de consciência, sinais de encefalite, desnutrição moderada/grave, imunodepressão.
- • Ambulatorial: casos leves com suporte domiciliar e retorno programado.
- Reavaliação: em 24–48 h ou antes se piora clínica.
Discussão das alternativas
✅ D) vitamina A via oral.
Alternativa correta. Em crianças com sarampo, a suplementação de vitamina A reduz mortalidade, pneumonia e lesões oculares. Para 5 anos (≥12 meses), a dose é 200.000 UI VO no Dia 1 e Dia 2; considerar terceira dose 2–4 semanas depois se houver deficiência de vitamina A ou evolução grave. Base: diretrizes do Ministério da Saúde.
❌ A) colírio de tobramicina.
Alternativa incorreta. A conjuntivite do sarampo é viral; antibiótico tópico não é de rotina. Manejo: higiene ocular com soro fisiológico e observação. Antibiótico tópico apenas se houver sinais claros de sobreinfecção bacteriana, o que não foi descrito.
❌ B) antibiótico via oral.
Alternativa incorreta. Não se indica antibiótico sistêmico no sarampo sem evidência de complicação bacteriana. Caso haja otite média aguda ou pneumonia bacteriana, tratar conforme diretriz (ex.: amoxicilina em dose alta para otite), mas não é o caso aqui.
❌ C) oseltamivir via oral.
Alternativa incorreta. Oseltamivir é antiviral específico para influenza. O quadro clínico e o achado de manchas de Koplik apontam para sarampo, no qual oseltamivir não tem papel.
Take-home message
- Pródromos (febre + tosse/coriza/conjuntivite) seguidos de exantema e manchas de Koplik definem sarampo clínico.
- Toda criança com sarampo deve receber vitamina A: ≥12 meses 200.000 UI VO no Dia 1 e Dia 2.
- Antibiótico (tópico ou sistêmico) só se houver complicação bacteriana documentada.
- Red flag: não usar ácido acetilsalicílico em crianças com virose (risco de síndrome de Reye).
- Isolamento respiratório até 4 dias após início do exantema; notificação imediata e coleta de amostras para vigilância.
- Reavaliar em 24–48 h; internar se dessaturação, sinais de pneumonia grave, desidratação, alteração neurológica ou desnutrição.