Revisão do tema
Âncora de memorização (por que cai): Diferenciar parassonias do sono não-REM (terror noturno e sonambulismo) de transtorno de pesadelos (sono REM) é clássico. O enunciado descreve: início súbito na 1ª metade da noite, grito/chorar/sudorese, não responde, difícil consolo e amnésia do evento → quadro típico de terror noturno.
Epidemiologia e Etiologia
- Parassonias NREM (terror noturno e sonambulismo): prevalentes na infância, pico entre 4–8 anos; geralmente autolimitadas na adolescência. Fatores precipitantes: privação de sono, febre, estresse, medicações que fragmentam o sono, e história familiar.
- Transtorno de pesadelos (sono REM): comum em idade escolar; associado a estresse, transtornos ansiosos e alguns fármacos. Criança desperta assustada, mas consolável e com lembrança vívida do conteúdo onírico.
Diagnóstico
- Terror noturno (definição operacional): parassonia do sono NREM, tipicamente no terço inicial da noite, com despertar parcial brusco do sono profundo (N3), comportamento de medo intenso (grito/chorar), ativação autonômica (sudorese, taquicardia), inconsolabilidade, baixa responsividade e amnésia subsequente.
- Sonambulismo: também NREM; ocorre na 1ª metade da noite com deambulação/atos motores automáticos, olhar vítreo, baixa responsividade e amnésia. Pode coexistir com terror noturno.
- Transtorno de pesadelos: sono REM, mais na 2ª metade da noite; despertar completo, criança consolável e com recordação detalhada do sonho.
- Insônia de manutenção: despertares noturnos com dificuldade de voltar a dormir, mas a criança fica consciente e responsiva; não há amnésia do evento.
- Padrão-ouro: O diagnóstico é clínico pela história típica. Polissonografia é reservada para casos atípicos, refratários, suspeita de epilepsia noturna, distúrbios respiratórios do sono ou quando o diagnóstico é incerto.
Conduta & Posologia
- Primeira linha (não farmacológica): educação parental; higiene do sono rigorosa (horários regulares, tempo total de sono adequado para idade), reduzir estressores, evitar privação de sono/febre; manter ambiente seguro (travas em portas/janelas, retirar objetos perigosos).
- Técnica útil em episódios previsíveis: despertares programados 15–30 minutos antes do horário habitual do evento, por 1–2 semanas.
- Quando investigar/encaminhar: início muito tardio ou persistência após adolescência, comportamentos perigosos, episódios muito frequentes (p.ex., ≥2/semana), sonolência diurna excessiva, suspeita de epilepsia/Apneia Obstrutiva do Sono, falha das medidas comportamentais.
- Farmacoterapia: não é de rotina. Pode ser considerada por especialista em casos graves e refratários, por tempo limitado. Evitar automedicação.
- Critérios de internação vs ambulatorial: Manejo é ambulatorial. Considerar avaliação hospitalar apenas se traumas significativos ou necessidade de elucidação urgente (suspeita de crises epilépticas com risco, eventos violentos incontroláveis).
Discussão das alternativas
✅ C) Terror noturno.
Alternativa correta. Quadro clássico de parassonia NREM: início abrupto durante sono profundo (1ª metade da noite), choro/grito e sudorese, não responsivo e amnésico pela manhã. Isso diferencia de pesadelo (REM, com lembrança) e de insônia (sem amnésia).
❌ A) Sonambulismo.
Alternativa incorreta. Também NREM e noturno inicial, porém o achado central é deambulação/atos motores automáticos com olhar fixo; o enunciado destaca medo intenso e choro com retorno imediato ao sono profundo, sem caminhar — compatível com terror noturno.
❌ B) Insônia de manutenção.
Alternativa incorreta. Insônia cursa com despertares e dificuldade de reindução do sono, mas a criança permanece consciente e responsiva, sem manifestações autonômicas exuberantes e sem amnésia. Aqui há inconsolabilidade e amnésia pós-evento.
❌ D) Transtorno de pesadelos.
Alternativa incorreta. Pesadelos ocorrem no sono REM, mais na 2ª metade da noite; a criança acorda, é facilmente consolável e lembra do conteúdo onírico. O caso descreve exatamente o oposto (NREM com amnésia e ativação autonômica).
Take-home message
- Terror noturno: parassonia NREM na 1ª metade da noite, com medo intenso, autonômico, baixa responsividade e amnésia.
- Pesadelo (REM) vs Terror (NREM): lembra do sonho e é consolável (pesadelo) vs não lembra e é inconsolável (terror).
- Tratamento é educativo e de segurança ambiental; despertares programados ajudam quando há padrão previsível.
- Encaminhe se episódios forem muito frequentes, perigosos, atípicos, com sonolência diurna ou suspeita de epilepsia/AOS.
- Red flag: início na adolescência/adulto, eventos prolongados com amnésia ou traumas recorrentes → investigar (polissonografia/neurologia).