Revisão do tema
Âncora de memorização (por que cai na prova): A estratificação de risco para hemorragia pós-parto (HPP) do Ministério da Saúde lista obesidade com índice de massa corporal ≥ 35 kg/m² como fator de risco. Idade materna > 35 anos, apenas dois partos vaginais prévios e bolsa rota isolada não configuram, por si, fatores clássicos para HPP na estratificação rotineira.
Epidemiologia e Etiologia
O que é HPP: Perda sanguínea ≥ 500 mL após parto vaginal ou ≥ 1.000 mL após cesariana, ou qualquer perda com sinais de instabilidade hemodinâmica no puerpério imediato (definição operacional em maternidades do SUS).
Impacto no Brasil: Entre as principais causas de mortalidade materna evitável; atonia uterina é a causa mais comum.
Fatores de risco relevantes segundo MS: Obesidade (IMC ≥ 35 kg/m²), grande multiparidade (≥ 4 partos), gestação múltipla, polidrâmnio, macrossomia, trabalho de parto prolongado, uso abusivo de ocitócicos, corioamnionite, placenta prévia/acretismo, história prévia de HPP, distúrbios de coagulação, anemia grave, entre outros.

Figura 1. Estratificação de risco para hemorragia pós parto.
Fonte: Hospital Universitário Ana Bezerra (HUAB-UFRN/Ebserh). Protocolo de Manejo da Hemorragia Pós-Parto (HPP). Disponível em: https://www.gov.br/hubrasil/pt-br/hospitais-universitarios/regiao-nordeste/huab-ufrn/documentos-institucionais/prt-umul-005-protocolo-de-manejo-da-hemorragia-pos-parto-hpp.pdf. Acesso em 25/07/2026.
Diagnóstico
Como identificar: Quantificação/estimativa da perda sanguínea + sinais de hipoperfusão (taquicardia, hipotensão, estado mental alterado) e avaliação sistemática das 4 Ts (tônus, trauma, tecido, trombina).
Por que importa na questão: Reconhecer, no pré-parto, quais gestantes merecem vigilância reforçada e prevenção ativa do 3º período do parto.
Mini-exemplo: Gestante com IMC 36 kg/m² e polidrâmnio → risco aumentado por sobredistensão uterina e disfunção contrátil.
Conduta & Posologia
Prevenção (manejo ativo do 3º período): Ocitocina logo após o nascimento: 10 UI intramuscular ou 5 UI intravenosa lenta (1–2 min). Pinçamento precoce controlado do cordão e tração controlada do cordão quando houver sinais de dequitação.
Tratamento inicial da atonia (primeira linha): Ocitocina em infusão: 10–20 UI diluídas em 500 mL de cristalóide, ajuste conforme tônus/sangramento. Massagem uterina bimanual imediata.
Antifibrinolítico (se HPP estabelecida): Ácido tranexâmico 1 g IV em 10 min, idealmente < 3 h do parto; pode repetir 1 g IV se sangramento persistir após 30 min.
Ergometrina/metilergometrina: Evitar em hipertensas. Quando indicada: 0,2 mg IM, pode repetir a cada 15–20 min até 5 doses, se pressão permitir.
Misoprostol (quando ocitocina indisponível/adição): 800–1.000 mcg via retal/sublingual em dose única.
Contraindicações: Ergometrina em hipertensão/preeclâmpsia; cautela com misoprostol em cardiopatas.
Efeitos adversos relevantes: Ocitocina (hiponatremia se infusão excessiva), ergometrina (picos hipertensivos, vasoespasmo), misoprostol (febre, calafrios, diarreia), tranexâmico (náuseas; risco trombótico baixo, mas considerar história).
Ajustes e situações especiais: Misoprostol e ocitocina não requerem ajuste em doença renal crônica leve-moderada; evitar ergometrina em cardiopatia isquêmica/hipertensão. Tranexâmico: reduzir dose em taxa de filtração glomerular < 30 mL/min (protocolo local).
Critérios de maior vigilância/ambiente: Risco para HPP (ex.: IMC ≥ 35 kg/m², placenta prévia, história de HPP) → parto em unidade com ocitócicos, antifibrinolítico, balão intrauterino e acesso a hemoterapia; checagem de disponibilidade antes do parto.
Discussão das alternativas
✅ D) IMC > 35 Kg/m2.
Alternativa correta. A obesidade com índice de massa corporal ≥ 35 kg/m² é fator de risco reconhecido para HPP nas listas operacionais do Ministério da Saúde, associada à maior atonia uterina e dificuldade técnica no manejo. Nesta paciente (93 kg; 1,60 m → IMC ≈ 36,3 kg/m²), há risco aumentado que justifica prevenção e vigilância reforçadas.
❌ A) Idade > 35 anos.
Alternativa incorreta. Idade ≥ 35 anos é marcador de risco obstétrico global, mas não consta, de forma isolada, como fator principal e específico para HPP nas listagens operacionais do MS usadas à beira-leito. A banca tende a cobrar os itens clássicos (ex.: IMC ≥ 35, grande multiparidade, placenta prévia), não a idade isolada.
❌ B) Dois partos vaginais prévios.
Alternativa incorreta. O risco clássico para HPP por paridade relaciona-se à grande multiparidade (≥ 4 partos). Apenas dois partos vaginais prévios, sem história de HPP, não configuram fator específico na estratificação.
❌ C) Bolsa rota.
Alternativa incorreta. Bolsa rota isolada, sem corioamnionite, trabalho de parto prolongado ou indução/uso excessivo de ocitócicos, não é fator clássico de risco para HPP nas listagens do MS. O risco aumentaria se associado a infecção intra-amniótica ou parto demorado.
Take-home message
- Estratificação de risco para HPP: reconheça IMC ≥ 35 kg/m², grande multiparidade (≥ 4), placenta prévia/acretismo, gestação múltipla, polidrâmnio e história prévia de HPP.
- Prevenção padrão no SUS: manejo ativo do 3º período com ocitocina 10 UI IM ou 5 UI IV lenta logo após o nascimento.
- Se HPP instalada: massagem uterina + ocitocina em infusão; considerar ácido tranexâmico 1 g IV (idealmente < 3 h) e uterotônicos adicionais conforme perfil clínico.
- Red flag: Ergometrina é contraindicada em hipertensas/preeclâmpsia.
- Idade > 35 anos e apenas dois partos prévios não são, isoladamente, fatores clássicos para HPP nas listas operacionais do MS.
- Organize o parto de gestantes de risco em unidades com ocitócicos, tranexâmico, balão intrauterino e hemoterapia disponíveis.