Revisão do tema
Âncora de prova: Epistaxe anterior é a causa mais comum de sangramento nasal na UPA e a primeira linha é sempre medida local: compressão nasal anterior contínua por 10–15 min associada a vasoconstritor tópico. Tamponamento posterior e cirurgias são para falha/refratariedade.
Epidemiologia e Etiologia
Frequência: Maioria dos casos é anterior (plexo de Kiesselbach/Little). Alta resolução com medidas conservadoras.
Fatores precipitantes: trauma digital, rinite, ar seco, antiagregantes/anticoagulantes, hipertensão mal controlada (perpetua, não causa isolada), malformações vasculares.
Diagnóstico
Definição operacional: Sangramento nasal visível pelo vestíbulo nasal; na epistaxe anterior, o ponto ativo costuma ser septal anterior.
Identificação do sítio: Inspeção com afastador/otoscópio, aspiração suave de coágulos, iluminação adequada. Sugestivo de posterior: sangue na orofaringe sem ponto anterior, sangramento bilateral volumoso, idosos.
Gravidade: Estimar débito, sinais vitais, comorbidades e uso de antiagregantes/anticoagulantes. Hemograma e coagulograma apenas se sangramento importante, uso de anticoagulante ou suspeita de coagulopatia.
Conduta & Posologia
Passo 1 – Medida de primeira linha: Sentar, cabeça levemente fletida à frente (evitar deglutição de sangue), assoar suavemente para expulsar coágulos e realizar compressão digital firme do terço mole do nariz por 10–15 minutos, sem interromper, associando vasoconstritor tópico.
Vasoconstritor tópico (opções):
• Oximetazolina 0,05% spray: 2 jatos em cada narina e repetir compressão por 10–15 min.
• Adrenalina tópica diluída em gaze/algodão: 1:10.000 aplicada localmente por 5–10 min. Alternativa quando spray não disponível.
Anestesia/cauterização química (se ponto visível e sangramento cessado/reduzido): Lidocaína tópica e nitrato de prata 75%, toque por 5–10 s até esbranquiçar. Não cauterizar bilateralmente o septo para evitar perfuração.
Falha do passo 1: Tamponamento anterior com gaze vaselinada ou dispositivo expansível, manter por 24–48 h. Encaminhar Otorrino se refratário, recidivante ou suspeita de posterior.
Contraindicações/cautelas (vasoconstritores): Glaucoma de ângulo fechado, feocromocitoma, uso concomitante de inibidores da monoamina oxidase; cautela em coronariopatas e hipertensos (uso tópico breve).
Efeitos adversos relevantes: Taquicardia, palidez, tremor, cefaleia, isquemia local (uso prolongado/abuso), epistaxe rebote com descongestionantes tópicos.
Ajustes especiais: Uso tópico breve geralmente dispensa ajuste em doença renal crônica e hepatopatia; monitorar em idosos e cardiopatas.
Critérios de internação/observação: Tamponamento posterior, sangramento persistente/volumoso, anemia/instabilidade, coagulopatia ou anticoagulação terapêutica, comorbidades descompensadas, recidiva precoce. Ambulatorial se controle completo e estável, com retorno em 24–48 h ou antes se recidiva.
Discussão das alternativas
✅ C) compressão nasal anterior e uso de vasoconstritor tópico.
Alternativa correta. Para epistaxe anterior com ponto visível e paciente estável, a primeira linha é compressão anterior contínua por 10–15 min associada a vasoconstritor tópico (ex.: oximetazolina 0,05% 2 jatos/narina ou gaze com adrenalina 1:10.000 por 5–10 min). Elevado índice de hemostasia sem necessidade de procedimentos invasivos.
❌ A) hiperextensão cervical e uso de corticoide tópico.
Alternativa incorreta. A cabeça deve ficar fletida à frente para evitar deglutição/aspiração de sangue. Corticoide tópico não é hemostático na fase aguda e não é medida de primeira linha.
❌ B) tamponamento nasal posterior com sonda de Foley.
Alternativa incorreta. Tamponamento posterior é reservado para epistaxe posterior ou falha de medidas anteriores. Neste caso, o sítio é anterior visível; a conduta é compressão + vasoconstritor e, se necessário, cauterização/tamponamento anterior.
❌ D) ligadura cirúrgica da artéria esfenopalatina.
Alternativa incorreta. Ligadura arterial é medida cirúrgica para casos refratários a manejo local (compressão, cauterização, tamponamentos). Não é primeira linha em epistaxe anterior controlável.
Take-home message
- Primeira linha na epistaxe anterior: compressão nasal anterior contínua por 10–15 min + vasoconstritor tópico.
- Vasoconstritor: Oximetazolina 0,05% 2 jatos/narina ou adrenalina 1:10.000 tópica por 5–10 min.
- Se ponto visível e sangramento controlado: cauterização química com nitrato de prata (evitar bilateral no septo).
- Red flag: sangue na orofaringe sem ponto anterior visível sugere epistaxe posterior → avaliar tamponamento posterior/OTR.
- Posicionar com cabeça fletida à frente; evitar hiperextensão (aspiração/deglutição de sangue).
- Internar/observar se tamponamento posterior, instabilidade, coagulopatia, anticoagulação ou recidiva persistente.