Revisão do tema
Âncora (por que cai): Escolha de método contraceptivo em condições de alto risco trombótico. Em prova, identificar que estrogênio é contraindicado em hipertensão arterial sistêmica estágio 2 e em lúpus com anticorpo antifosfolípide positivo; método de escolha é Dispositivo intrauterino de cobre.
Epidemiologia e Etiologia
Brasil: Hipertensão arterial sistêmica é prevalente e frequentemente mal controlada na atenção primária. Lúpus eritematoso sistêmico com anticorpo antifosfolípide confere alto risco trombótico.
Risco hormonal: Métodos combinados (contendo estrogênio) elevam risco de trombose arterial/venosa e pioram controle pressórico.
Diagnóstico
Definições operacionais (elegibilidade):
Hipertensão estágio 2 (pressão arterial sistólica ≥ 160 mmHg e/ou pressão arterial diastólica ≥ 100 mmHg): uso de métodos combinados é categoria 4 (contraindicado).
Lúpus com anticorpo antifosfolípide positivo: métodos combinados são categoria 4; métodos só de progestagênio sistêmico (pílula, implante, injetável) são, em geral, categoria 3 (risco geralmente supera o benefício); Dispositivo intrauterino de cobre é categoria 1.
Obesidade e nuliparidade: não contraindicam o dispositivo intrauterino de cobre.
Padrão-ouro de escolha em alto risco trombótico: métodos não estrogênicos e, preferencialmente, não hormonais — dispositivo intrauterino de cobre.
Mini-exemplo: Mulher com lúpus e anticorpo antifosfolípide positivo: evite pílula combinada, anel vaginal e adesivo; prefira dispositivo intrauterino de cobre.
Conduta & Posologia
Método de escolha: Dispositivo intrauterino de cobre (TCu380A ou equivalente).
Indicações no caso: Hipertensão estágio 2 e lúpus com anticorpo antifosfolípide positivo — desejável método isento de estrogênio e sem progestagênio sistêmico.
Próximo passo prático: Inserção na Unidade Básica de Saúde por profissional treinado, em qualquer dia do ciclo se houver certeza razoável de não gestação (última menstruação há 1 semana e ciclos regulares favorecem elegibilidade).
Técnica resumida de inserção: Avaliar contraindicações (gestação, infecção pélvica atual, sangramento vaginal sem diagnóstico, malformação uterina distorciva). Asepsia, pinçamento do colo, histerometria, inserção do TCu até fundo, corte dos fios a 2–3 cm do orifício externo.
Conselho complementar: Manter preservativos para prevenção de infecções sexualmente transmissíveis; retorno em 4–6 semanas para revisão de posicionamento clínico (fios) e avaliação de sintomas.
Contraindicações do dispositivo intrauterino de cobre: Gestação, infecção pélvica atual, sangramento uterino anormal sem diagnóstico, malignidade genital, anomalia uterina distorciva.
Efeitos adversos esperados: Aumento de fluxo e cólicas nos primeiros ciclos; geralmente melhoram após 3–6 meses.
Critérios de encaminhamento/urgência: Sinais de doença inflamatória pélvica (dor pélvica intensa, febre, corrimento purulento) ou suspeita de perfuração — encaminhar para avaliação ginecológica.
Discussão das alternativas
✅ D) Dispositivo intrauterino de cobre.
Alternativa correta. Método não hormonal, categoria 1 para lúpus com anticorpo antifosfolípide positivo e seguro na hipertensão. É a opção de primeira linha em cenário de alto risco trombótico.
❌ A) Anel vaginal.
Alternativa incorreta. Método combinado com estrogênio. Em hipertensão estágio 2 e em lúpus com anticorpo antifosfolípide positivo é categoria 4 (contraindicado) pela elevação do risco trombótico e potencial piora pressórica.
❌ B) Injetável combinado.
Alternativa incorreta. Também contém estrogênio. Segue a mesma regra: contraindicado em hipertensão estágio 2 e em lúpus com anticorpo antifosfolípide positivo.
❌ C) Implante de progesterona.
Alternativa incorreta. Embora não contenha estrogênio e seja aceitável em muitas hipertensas, no lúpus com anticorpo antifosfolípide positivo é, em geral, categoria 3 (risco geralmente supera o benefício) segundo critérios de elegibilidade; prefere-se método não hormonal, como o dispositivo intrauterino de cobre.
Take-home message
- Em hipertensão estágio 2 e lúpus com anticorpo antifosfolípide positivo, estrogênio é contraindicado (categoria 4).
- Método de escolha: dispositivo intrauterino de cobre (categoria 1), aliado a preservativos para prevenção de infecções.
- Implantes e pílulas só de progestagênio podem ser categoria 3 no lúpus com anticorpo antifosfolípide positivo: prefira opção não hormonal.
- Red flag: nunca prescrever método combinado (pílula/anel/adesivo/injetável) em paciente com anticorpo antifosfolípide positivo.
- Inserção do dispositivo intrauterino pode ser feita em qualquer dia do ciclo se houver certeza de não gestação; revisar em 4–6 semanas.