Revisão do tema
Âncora de memorização (por que cai): Lesão por pressão em estágio 1 = eritema não branqueável de pele íntegra. Conduta que muda desfecho: alívio/redistribuição de pressão com rodízio de decúbito ≤ 2 horas. Evitar anéis, evitar massagem no eritema e limitar elevação da cabeceira.
Epidemiologia e Etiologia
Idosos acamados, desnutridos e com mobilidade reduzida têm alto risco no domicílio pós-alta. Fatores: pressão sustentada, cisalhamento (escorregamento na cama), fricção e umidade.
Regiões de proeminência óssea (sacro, calcâneo, trocânteres) são as mais atingidas.
Diagnóstico
Definição operacional (Estágio 1): Eritema em pele íntegra que não esbranquece à digitopressão e persiste após alívio da pressão; pode haver dor, calor, edema ou induração local. Mini-exemplo: área sacral ruborizada que permanece após 15 minutos sem apoio = estágio 1.
Importa porque: Estágio 1 é reversível se houver alívio precoce da pressão; sem intervenção, progride para ulceração.
Conduta
Medida principal: Rodízio de decúbito com intervalo máximo de 2 horas (dorsal, laterais 30°, ventral se tolerado), usando travesseiros/espumas para descarregar proeminências.
Superfícies de suporte: Colchões/overlays que redistribuem pressão (espuma densa de alta especificação, pressão alternada). Não usar anéis/argolas porque concentram pressão perilesional.
Posicionamento seguro: Manter cabeceira ≤ 30° quando possível para reduzir cisalhamento; evitar escorregamento.
Cuidados cutâneos: Manter pele limpa e seca; barreiras contra umidade em incontinência. Não massagear áreas eritematosas.
Suporte nutricional/hídrico: Rastrear risco nutricional e corrigir; garantir oferta proteico-calórica adequada com orientação da Atenção Primária/NASF-AB.
Educação do cuidador: Demonstrar mudanças de decúbito, checagem diária de pontos de pressão e sinais de alarme (dor, piora do eritema, bolha, exsudato).
Follow-up: Reavaliação em 48–72 horas ou antes se piora clínica; acionar equipe caso apareça ruptura da pele.
Discussão das alternativas
✅ C) Estabelecer um rodízio de decúbito que não exceda o intervalo de 2 horas.
Alternativa correta. É a intervenção com melhor relação efetividade/viabilidade domiciliar para estágio 1: remove a pressão sustentada, reduz cisalhamento e previne progressão. Diretrizes brasileiras recomendam mudança de posição a cada ≤ 2 horas e uso de superfícies de suporte.
❌ A) Utilizar dispositivos do tipo argola ou roteiro com preenchimento hídrico.
Alternativa incorreta. Anéis/argolas concentram pressão nas bordas, aumentam isquemia e risco de ulceração. Contraindicados nas diretrizes. Correção: usar colchão/overlay de redistribuição de pressão e coxins para descarregar proeminências, nunca anéis.
❌ B) Manter o paciente em decúbito dorsal permanente com a cabeceira elevada.
Alternativa incorreta. Dorsal permanente mantém pressão sacral e a cabeceira elevada aumenta cisalhamento. Correção: alternar decúbitos e manter cabeceira ≤ 30° quando necessário, privilegiando laterais em 30° com coxins.
❌ D) Realizar massagem circular sobre a região do eritema com soluções de ácidos graxos essenciais.
Alternativa incorreta. Massagem sobre eritema não branqueável causa microtrauma e pode agravar a lesão. Ácidos graxos essenciais são úteis como barreira/umectante para pele seca ou exposta à umidade, não para massagear áreas hiperemiadas. Correção: proteger a pele, controlar umidade e remover pressão.
Take-home message
- Estágio 1 = eritema não branqueável em pele íntegra; reversível com alívio precoce da pressão.
- Pulo do gato: rodízio de decúbito ≤ 2 horas + superfícies de suporte e cabeceira ≤ 30°.
- Educar cuidador para checar pontos de pressão diariamente e sinalizar piora imediata.
- Red flag: Não massagear áreas eritematosas e não usar argolas/gueltas.
- Controle de umidade, higiene e suporte nutricional reduzem risco de progressão.