Revisão do tema
Âncora de memorização (por que cai): Pólipo endometrial é causa frequente de sangramento uterino anormal na menacme e no climatério. O padrão-ouro diagnóstico é histeroscopia com biópsia/ressecção, e a descrição histológica clássica é projeção polipoide com pedículo vascular e glândulas endometriais.
Epidemiologia e Etiologia
Frequência: Pólipos endometriais respondem por proporção relevante dos casos de sangramento uterino anormal em mulheres de 40–50 anos no Brasil.
Fatores associados: Estímulo estrogênico relativo (obesidade, anovulação), uso de tamoxifeno, perimenopausa. São lesões benignas na maioria; risco de atipia/neoplasia aumenta com idade e sangramento pós-menopausa.
Fisiopatologia (mecânica de prova): Hiperplasia focal do endométrio com crescimento exofítico formando pedículo fibrovascular que nutre tecido glandular e estromal.
Diagnóstico
Definição operacional: Lesão endometrial focal, sésil ou pediculada, composta por glândulas e estroma endometriais, frequentemente com pedículo vascular único.
Métodos de imagem:
• Ultrassonografia transvaginal: Imagem ovalada/hiperecogênica intracavitária, muitas vezes com vaso central ao Doppler; espessura endometrial pode estar discretamente aumentada.
• Sonohisterografia (infusão salina): Melhora a acurácia para lesão focal intracavitária.
Padrão-ouro: Histeroscopia diagnóstica com biópsia ou histeroscopia operatória com ressecção completa para confirmação histopatológica.
Histopatologia clássica: Projeção digitiforme de tecido glandular e estroma com pedículo vascular (achado descrito no enunciado).
Diferenciais chave:
• Leiomioma submucoso: Massa sólida miofibrilar, sem pedículo vascular único central; histologia de músculo liso em feixes entrelaçados.
• Hiperplasia endometrial difusa: Espessamento endometrial com proliferação glandular difusa e sem lesão focal pediculada.
• Carcinoma de endométrio: Atypia citológica/arquitetural, invasão e espessamento irregular; risco maior em pós-menopausa.
Conduta & Posologia
Primeira linha (lesão focal sintomática): Histeroscopia operatória com polipectomia sob visão direta e envio para anatomopatológico.
Indicações formais de ressecção: Sangramento uterino anormal, infertilidade/subfertilidade, pólipos >1–1,5 cm, pólipos em usuárias de tamoxifeno, pós-menopausa, achados suspeitos à imagem.
Técnica (resumo prático): Polipectomia histeroscópica com ansa de ressecção ou pinça de apreensão, iniciando pela base do pedículo até remoção completa; confirmar hemostasia. Enviar todo o material para histopatologia.
Seguimento: Reavaliar sintomas em 4–6 semanas; recidiva pode ocorrer e é manejada com nova ressecção. Avaliar e tratar fatores hormonais associados quando presentes (ex.: anovulação).
Red flags para encaminhamento: Sangramento pós-menopausa, atipia no anátomo-patológico ou imagem suspeita de neoplasia – requer investigação oncológica.
Critérios de internação vs ambulatorial: Procedimento ambulatorial na maioria. Internar/observar se hemorragia aguda, anemia grave (Hb <8 g/dL), comorbidades que contraindiquem ambulatório ou complicações do procedimento (perfuração, sangramento persistente).
Discussão das alternativas
✅ B) Pólipo.
Alternativa correta. O enunciado traz: lesão ovalada intracavitária com pedículo vascular à ultrassonografia e histologia com projeção digitiforme glandular e pedículo vascular – descrição típica de pólipo endometrial. A histeroscopia com ressecção e confirmação histológica é o padrão-ouro.
❌ A) Leiomioma.
Alternativa incorreta. Leiomioma submucoso é massa de músculo liso, geralmente sem vaso central único ao Doppler; histologia mostra feixes entrelaçados de células musculares lisas, e não projeção glandular com pedículo vascular. O achado eco-histeroscópico e anatomopatológico do caso não é compatível.
❌ C) Hiperplasia endometrial.
Alternativa incorreta. Hiperplasia é difusa, com espessamento endometrial e aumento de densidade glandular sem lesão focal pediculada. A presença de lesão focal com pedículo vascular e histologia polipoide afasta hiperplasia como diagnóstico principal.
❌ D) Carcinoma de endométrio.
Alternativa incorreta. Carcinoma cursa com atipia citológica/arquitetural, invasão e frequentemente espessamento irregular, mais comum em pós-menopausa. O anatomopatológico descrito é benigno (pólipo). Red flag seria atipia neoplásica no laudo, o que não ocorreu.
Take-home message
- Padrão-ouro para pólipo endometrial: histeroscopia com ressecção e confirmação histológica.
- Achado clássico: lesão ovalada intracavitária com pedículo vascular único ao Doppler; histologia com projeção glandular/estroma e pedículo.
- Diferencie de leiomioma submucoso (músculo liso, sem vaso central) e de hiperplasia (difusa, não focal).
- Conduta principal em sintomáticas: polipectomia histeroscópica ambulatorial e envio para anatomopatológico.
- Red flag: sangramento pós-menopausa ou atipia no laudo exige avaliação oncológica.
- Seguimento: reavaliar sintomas em 4–6 semanas; recidiva é possível e manejada com nova ressecção.