Revisão do tema
Âncora (por que cai): Agitação psicomotora com risco iminente de heteroagressão na Atenção Primária exige sequência segura: contenção ambiental/verbal → contenção mecânica quando há risco imediato → sedação farmacológica adequada (evitar benzodiazepínico intramuscular inadequado) → observação e encaminhamento. A banca cobra a ordem dos passos e a droga correta.
Epidemiologia e Etiologia
Cenário brasileiro: Agitação psicomotora é motivo frequente de urgência em Unidades Básicas de Saúde e serviços gerais, frequentemente associada a transtornos psicóticos, uso de substâncias (álcool, cocaína), síndromes delirantes, causas orgânicas (hipoglicemia, infecção, delirium).
Importa porque: Há risco de auto/heteroagressão. Intervenção segura e padronizada reduz lesões e mortalidade.
Diagnóstico
Definição operacional: Agitação psicomotora é estado de aumento de atividade motora com descontrole comportamental, impulsividade e risco, muitas vezes com delírio e agressividade.
Identificação do risco: Ameaça clara de morte, tentativa de agressão com objeto, falha de desescalada verbal/limitação de espaço = risco iminente → indica contenção imediata.
Regra prática (sequência segura):
1) Abordagem verbal e redução de estímulos;
2) Se risco iminente, contenção mecânica com equipe treinada;
3) Sedação farmacológica adequada;
4) Monitorização contínua e avaliação etiológica.
Conduta & Posologia
Passo 1 – Segurança e técnica de contenção: Equipe mínima de 5 pessoas, sala segura, retirar objetos; decúbito dorsal, membros contidos com faixas acolchoadas; prescrição e justificativa médica registradas; reavaliação periódica e liberação assim que seguro.
Passo 2 – Sedação farmacológica de primeira linha (psicose/heteroagressão): Haloperidol 5 mg intramuscular, podendo repetir 5 mg IM a cada 30–60 min até controle, dose total usual até 10 mg (em alguns serviços até 15 mg), preferencialmente associado a Prometazina 25–50 mg IM para reduzir efeitos extrapiramidais.
Alternativas (quando antipsicótico contraindicado ou indisponível): Midazolam 5–10 mg IM (repetir 5 mg em 10–15 min se necessário). Evitar diazepam intramuscular por absorção errática e risco de depressão respiratória.
Ajustes e populações especiais: Idosos/frágeis: iniciar com Haloperidol 2,5 mg IM; insuficiência hepática: usar menores doses e maior intervalo; gravidez: haloperidol pode ser usado em emergência com menor dose e monitorização.
Contraindicações relevantes do haloperidol: Doença de Parkinson, síndrome do intervalo QT longo/prolongamento de QTc, história de arritmia ventricular, alergia ao fármaco.
Efeitos adversos-chave: Sintomas extrapiramidais agudos (distonia, acatisia), sedação excessiva, hipotensão, prolongamento do QT, síndrome neuroléptica maligna (raro).
Interações críticas: Fármacos que prolongam QT (macrolídeos, quinolonas, metadona), eletrólitos baixos (K+/Mg2+).
Monitorização após sedação/contenção: Sinais vitais, oximetria e nível de consciência a cada 15 min até estabilização; checar integridade cutânea e perfusão distal das faixas.
Critérios de internação vs manejo ambulatorial: Internar/encaminhar para urgência psiquiátrica se hetero/autoagressão, necessidade de contenção/sedação repetida, suspeita de causa orgânica grave (delirium, intoxicação), ou ausência de suporte domiciliar seguro. Ambulatorial apenas se quadro leve, sem risco e com rede de apoio, com reavaliação em 24–72 h.
Discussão das alternativas
✅ C) contenção mecânica, seguida de administração de haloperidol intramuscular.
Alternativa correta. Há risco iminente de violência (ameaça de morte + tentativa de agressão com objeto) e falha da abordagem verbal/ambiental. Diretriz nacional recomenda contenção mecânica imediata por equipe treinada para assegurar segurança, seguida de Haloperidol 5 mg IM (repetir conforme resposta) ± Prometazina 25–50 mg IM. Depois, monitorização e encaminhamento conforme necessidade.
❌ A) administração de haloperidol intramuscular, seguida de nova intervenção verbal.
Alternativa incorreta. Iniciar medicação sem assegurar a cena expõe equipe e paciente a lesões. A sequência segura, na presença de agressão ativa, é primeiro contenção mecânica, depois sedação farmacológica. Nova intervenção verbal pode ocorrer após estabilização.
❌ B) administração de diazepam intramuscular, seguida de observação em consultório.
Alternativa incorreta. Diazepam intramuscular não é recomendado por absorção imprevisível e maior risco de depressão respiratória. Além disso, sem contenção mecânica prévia, há risco. Comportamento com ameaça e agressão não deve ser apenas observado em consultório; requer área segura e monitorização.
❌ D) contenção mecânica, seguida de observação em consultório.
Alternativa incorreta. Embora a contenção esteja indicada inicialmente, é necessário completar o manejo com sedação farmacológica apropriada para controlar a agitação, reduzir risco de lesões e permitir avaliação clínica.
Take-home message
- Sequência que aprova: verbal/ambiente → contenção mecânica se risco iminente → Haloperidol 5 mg IM ± Prometazina 25–50 mg IM → monitorização e encaminhamento.
- Em idoso/frágil, iniciar com Haloperidol 2,5 mg IM. Alternativa quando antipsicótico contraindicado: Midazolam 5–10 mg IM.
- Red flag: Não usar diazepam intramuscular (absorção errática, risco respiratório).
- Documente a contenção: indicação, horário, equipe, condições do paciente; reavalie e libere o mais breve possível.
- Evite antipsicótico se Parkinson ou QTc prolongado; monitorize sinais vitais e oximetria a cada 15 min até estabilização.